CIA. ITALIANA DE TEATRO LADRÃO - DF
VIRAÇÃO
EM SUA ESTREIA EM GOIÂNIA
TEATRO MATIM CERERÊ
7 E 8 DE AGOSTO
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 18 ANOS
foto: Diego bresane
Publicado em 1 01UTC julho 01UTC 2010 por Adauto Cândido Soares em http://adautocandidosoares.wordpress.com/2010/07/01/viracao-de-dois-grandes-atores/
Assisti a terceira montagem do espetáculo “Viração” da Companhia Italiana de Teatro Ladrão que aconteceu no SESI em Taguatinga-DF. A peça conta com o talento dos atores Márcio Menezes e Rômulo Augusto que assinam também o texto. Gostei de rever, gostei de ver as mudanças e o rumo que o trabalho está tomando. Assisti a primeira montagem no Teatro Mosaico e na época fiquei super entusiasmado, pois a peça tinha um tom crítico inteligente que abordava assuntos muito atuais como: a mídia, as celebridades, a política e outros temas da nossa vida contemporânea. Agora a dupla se mostra mais segura em cena, mais à vontade para o improviso, mais experiente. Fico pensando nessa turma que tanto me tocou nesses últimos anos desde a “Casa de Bonecas servida por Homens”-(2006) percebo que houve sim amadurecimento, os caras estão mais vividos, mais experientes, mais velhos, e foi essa constatação que mais me agradou. Eles hoje não têm pudor de se mostrar, corpos de 40 anos, não malhados avacalhando a malhação. Falam do que incomoda, purgam a vida, as mazelas irritantes que o dia-a-dia nos impõe. O deboche impera. Nesta versão o sexo ganha mais espaço, a razão e a crítica cedem lugar para o desvario. Tudo bem, não me incomodei. Antes eu tinha um olhar mais cabeça para a proposta, mas as soluções dessa nova montagem compensam a pseudo-loucura pois tudo que é dito tem sentido, tem razão, tem revolta e uma consciência que há muito tempo não vejo no teatro.
Entretanto o que mais me agradou mesmo foi o dinamismo cênico da dupla. É muito legal quando dois atores se completam em cena. E esse fenômeno é claro quando falamos de Márcio e Rômulo. Cada qual com seu estilo nos tocam e nos levam para onde querem. De nossa parte, nos identificamos, temos medo, rimos e nos surpreendemos com as peripécias e ousadias da dupla. Duo que revela a mesma fonte, a mesma formação. Esses dois são famosos juntos desde os tempos da Faculdade de Artes da UnB. Desde então com esse legado nos brindam com a maturidade de pensamento. Pensamento artístico que querem negar, talento que parece que não reconhecem em si próprios. Quem dera um dia a cultura brasileira pudesse dispor de recursos orçamentários para termos esses caras talentosos fazendo somente teatro. Quem dera, nós brasilienses, pudéssemos ter o prazer de contar com trabalhos mais freqüentes desses meninos geniais. Quem dera.